O que é um guitarrista bom?

guitarristaA pergunta “o que é um bom guitarrista?” não é simples de responder, pois está mal formulada. O correto seria: “o que é um bom guitarrista de metal melódico?” ou “o que é um bom guitarrista de jazz?”, etc. Existem diversos estilos diferentes, e cada estilo precisa ser tocado de uma maneira diferente. Os guitarristas de metal, por exemplo, precisam ser bastante técnicos, já que o metal se assemelha (de certa forma) à música clássica, que basicamente se resume a leitura e execução. Já os guitarristas de jazz precisam ter muito conhecimento de harmonia e improvisação, pois as músicas desse estilo possuem acordes bem elaborados e muitas modulações, com trechos voltados somente para a improvisação (se o guitarrista não estiver bem familiarizado com as escalas bebop, menor melódica, hexafônica, entre outras, não conseguirá tocar jazz, pois apesar de conseguir tocar o tema decorando-o, seu fraseado durante o turn around de cada música não terá o tempero jazzístico, ou pior, não será nem ao menos um improviso se o guitarrista não souber o que está fazendo.
É possível que um grande guitarrista de metal, virtuoso, preciso, com feeling, pegada animal e tudo o mais passe vergonha ao tocar um jazz. Eu já vi essa cena. Um amigo guitarrista experiente, com anos de prática, shows, no mundo do metal, um belo dia se viu em meio a uma roda de músicos que estavam afinando seus instrumentos durante uma festa. Alguém o avistou e disse aos demais: “Aquele ali destrói na guitarra! Toca muito!”. Então os músicos o chamaram para dar uma canja. Começaram a tocar All The Things You Are e disseram: “faz um improviso aí!” esse meu amigo parecia estar totalmente perdido, não sabia nem como começar, ficou catando milho a música inteira. Quem viu aquilo deve ter pensado: “cadê o guitarrista que falaram?”.

O mesmo poderia acontecer com o inverso. Um excelente guitarrista de jazz poderia ser convidado para tocar uma música do Dream Theater e não conseguir executar os solos. Há também aqueles guitarristas que conseguem tocar com os pés.

Pensando dessa forma, não podemos dizer se um guitarrista é bom ou não sem definir primeiro de qual contexto estamos falando. Ainda existem muitos outros estilos, como o groove ou soul, em que é preciso rapidamente ter um swing preciso com a mão direita alternando entre tempo e contratempo. O baixista pede para você marcar os tempos fortes com swing à semicolcheia e o que você faz? Ou então você vai fazer a base para um vocalista de mpb e ele pede para você modificar a harmonia na hora: “aqui tu faz uma preparação com resolução deceptiva pra começar o refrão, depois finaliza o trecho com um acorde suspenso pros vocais destacarem a segunda voz…aproveita e já coloca uma sexta e uma nona no acorde do próximo trecho…ah, e o baixo alterna entre terças e quintas, quero a tônica só no final de cada compasso”. Você vai tocar o que ele pediu ou vai sair chorando do estúdio?

No artigo anterior, comentamos que o guitarrista iniciante somente consegue pensar em velocidade e feeling, acreditando que música se resume a isso. Pois bem, se esse é o seu caso, recomendo que comece a se aprofundar na guitarra para não ter mais pensamentos superficiais como esse. E acima de tudo, nunca julgue ninguém precipitadamente. Apenas estude e use os erros e acertos dos outros para evoluir musicalmente e se aprimorar. Fica a dica!